Página 1 de 1

A noite de San Bertolameu

Enviado: quinta, 29 jun 2006, 12:42
por beltram
Historia enviada por Marcia Diéguez:

O nascimento de meu pai Henrique Dieguez na festa de San Bartolomé


Chegou o dia 24 de agosto, Josepha apesar do volume e peso de sua barriga era das mais animadas, adorava uma festa , mas a medida que as horas foram se passando ela viu que nao poderia participar, as dores começavam e sua hora estava proxima. A avoa Rosali­a chegou junto a ela e disse : - Non te preocupes carinh© mas un que axudarei a olhar o mundo. Xosé, meu avo, sempre muito atencioso , ficou preocupado . A avoa estava com idade e nao andava bem de saude , no parto de Maria, a primogenita, as coisas tinham se complicado, a menina estava sentada, decide pedir ajuda a parteira do bairro Dona Conceiçao. Esta prontamente atende o chamado e rindo muito diz para Josepha :- Minha filha , a nossa festa sera outra !

Os convidados começaram a chegar e o suspense era grande, nao poderiam deixar de comemorar o Santo mas ao mesmo tempo a preocupaçao era Josepha. Antes mesmo que essa preocupaçao acaba-se com a festa, o choro da criança faz- se ouvir. Eram 8 e meia da noite, o choro era forte, choro de varon . Para a alegria do avo era um menino , seu primeiro neto homen nascido no dia de San Bartolomé, santo patrono de seu pobo Berrande , nao poderia ter alegria maior, seria seu afilhado e levaria seu nome Enrique, que esse com " H " o menino era brasileiro. Assim nascia Henrique Dieguez , meu pai. Apesar dos nomes irem se abrasileirando , até mesmo o sobrenome Dieguez que passou ser escrito com " s " por seus descendentes, a semente galega foi passando a todos os membros da familia , em alguns esta¡ adormecida em outros cresce tanto a cada dia que acaba por transbordar e pouco a pouco contamina a todos a sua volta.
Minha semente galega cresceu tanto , que fecho os olhos e vejo uma imensa arvore com seus galhos indo em todas as direcçoes em busca de seus semelhantes, e as rai­zes profundas com muitos nos e ramificaçoes truncadas que nao consigo ver aonde van dar , mas com sua parte central forte,saudavel, com uma seiva especial , fincada em solo Galego, e ali encontro meu coraçao.

A festa foi dobrada, minha avoa contava que da cama podia ouvir do outro lado da rua a gaita galega e o ritmo marcado com os tacons no assoalho. O vinho jorrava farto e o orgulhoso avo com o garrafom em punho cantava : - E vira una gota, e otra gotita ,e aghora asi­ se va a buena a gotarita, a gotarita©. Todos riam e os copos eram esvasiados .

O gaitero encarregava-se de atrair a todos para o baile , e atacava com a muinheira, a xota , o pasodobre e assim iam alternando os ritmos fazendo com que os pares fossem bailando . La pelas tantas, Corisco levanta o copo e pede atençao, todos param e entom diz:- Arriba, abaixo, ao centro, pa dentro , entorna o copo até sua ultima gota e no centro do salom canta uma cançom flamenca recordada desde seu tempo de rapaz. A irma Consuelo emocionada junta-se e encantam a todos com o bailado andaluz.Antes de emigrarem para o Brasil , viveram algun tempo em Sevilla.

Risos, choros , emoçao pura, os irmaos se abraçam e assim o fazem todos os presentes como uma grande familia , essa era a "A Casa do Corisco " famosa nas 3 primeiras decadas do século XX e até hoje lembrada por muitas familias de imigrantes espanhois da cidade de Santos.